Não é preciso muito para me emocionar. Um sorriso, uma gentileza, a espontaneidade infantil são suficientes. O amor incondicional de minha cachorrinha Belinha também. As demonstrações de afeto da Drika idem. Assim como o amor da minha Preta. Gosto de cinema, já fui um ‘viciado’ em filmes e também me emociono com histórias, música e atores numa tela grande. Assim como na vida, porém, poucas coisas me fazem chorar. Nestes meus 48 anos de idade, apenas duas vezes chorei assistindo a um filme. Fora A Lontrinha Travessa, quando eu tinha uns oito anos, na fase adulta chorei com apenas dois filmes, completamente diversos entre si mas que deixaram em mim uma marca bastante profunda. A última vez foi no domingo passado, quando fui assistir a pré-estréia de Nosso Lar, filme baseado em livro homônimo psicografado por Chico Xavier, contando a história do autor, o médico André Luiz, antes e depois de sua morte. Obra emblemática do espiritismo, Nosso Lar tinha tudo para não dar certo na tela, por conta das minúcias da história e as exigências da pós-produção. Porém, o roteirista e diretor Wagner de Assis acertou em cheio: do elenco, poucos são os atores conhecidos – entre eles Werner Schünemann, Ana Rosa, Othon Bastos e Paulo Goulart. E a escolha não poderia ter sido mais certa: Renato Prieto (foto), conhecido no teatro por suas produções espíritas, dá vida a André Luiz de forma comovente, ao lado de Selma Egrei. O encontro dos dois segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Dois filmes que me fizeram chorar
Não é preciso muito para me emocionar. Um sorriso, uma gentileza, a espontaneidade infantil são suficientes. O amor incondicional de minha cachorrinha Belinha também. As demonstrações de afeto da Drika idem. Assim como o amor da minha Preta. Gosto de cinema, já fui um ‘viciado’ em filmes e também me emociono com histórias, música e atores numa tela grande. Assim como na vida, porém, poucas coisas me fazem chorar. Nestes meus 48 anos de idade, apenas duas vezes chorei assistindo a um filme. Fora A Lontrinha Travessa, quando eu tinha uns oito anos, na fase adulta chorei com apenas dois filmes, completamente diversos entre si mas que deixaram em mim uma marca bastante profunda. A última vez foi no domingo passado, quando fui assistir a pré-estréia de Nosso Lar, filme baseado em livro homônimo psicografado por Chico Xavier, contando a história do autor, o médico André Luiz, antes e depois de sua morte. Obra emblemática do espiritismo, Nosso Lar tinha tudo para não dar certo na tela, por conta das minúcias da história e as exigências da pós-produção. Porém, o roteirista e diretor Wagner de Assis acertou em cheio: do elenco, poucos são os atores conhecidos – entre eles Werner Schünemann, Ana Rosa, Othon Bastos e Paulo Goulart. E a escolha não poderia ter sido mais certa: Renato Prieto (foto), conhecido no teatro por suas produções espíritas, dá vida a André Luiz de forma comovente, ao lado de Selma Egrei. O encontro dos dois sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Duas obras essenciais

sexta-feira, 13 de agosto de 2010
CSI: falhas não deixam série perder a força
Um criminoso sempre deixa pistas. É o que mostra a série CSI: Crime Scene Investigation. A série retrata o difícil cotidiano de um grupo de investigadores judiciais da cidade de Las Vegas, analisando os locais onde foram cometidos crimes. Com praticamente o mesmo elenco desde a estréia (só o protagonista William Petersen foi substituído por Lawrence Fishburne, a partir da 9ª temporada), entra neste ano em seu 11º ano consecutivo na telinha. Mesmo apresentando erros claros (já se sabe que nenhuma equipe de polícia científica consegue resultados tão rápidos com exames laboratoriais como nos episódios e peritos não fazem trabalho de investigação), CSI (cuja ação acontece em Las Vegas), teve ‘filhotes’: CSI Miami e CSI NY. Em Miami, a equipe é comandada por Horatio Caine (David Caruso, num trabalho excepcional). Considero esta a melhor versão, superando inclusive o original por conta do roteiro, além de ter mais ação e uma direção diversificada. Outro derivado é CSI NY: passado em Nova Iorque, o seriado tem Gary Sinise à frente do elenco e seus roteiros são mais soturnos e os integrantes da equipe ficam mais expostos à ação de bandidos que buscam atingir os mocinhos. Todos os três têm a assinatura de Jerry Brucheymer na produção (responsável ainda por Cold Case eWithout a Trace, entre outros, além de filmes de ação como Piratas do Caribe e Máquina Mortífera). CSI e seus ‘filhotes’ estão na grade da TV Record, em horário nobre. Já na TV paga, atualmente são exibidos pelo Canal AXN. Não se pode deixar de ver a série que mudou totalmente o modo de mostrar uma série de detetives, inclusive mostrando os dilemas e a vida pessoal dos peritos e detetives. Não se pode perder.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Cinema & Música: mais duas sugestões

Quando se fala em filmes musicais, os famosos realizados pela Metro nas décadas de 40 e 50 são as grandes referências. Mas há filmes que têm a música como tema mas que fogem do tradicional musical, onde os diálogos são cantados -- muitos não gostam destes últimos. Já mostrei por aqui alguns deles, mas hoje prefiro ficar nos mais recentes, que foram feitos para encantar, tendo a música como pano de fundo. O tocante O Som do Coração (August Rush, EUA, 2007) é um grande exemplo disso. August Rush é filho de um guitarrista irlandês e de uma violoncelista americana. Seus pais, ainda jovens, se conheceram de forma mágica na Washington Square, em Nova York. Devido às circunstâncias, August foi deixado num orfanato. Protegido por uma pessoa misteriosa e se apresentando nas ruas da cidade, agora August utiliza seu extremo talento musical para tentar reencontrar os pais de quem foi separado desde o nascimento. Destaque no elenco para o garoto que faz August Rush (o inglês Freddie Highmore, que já tinha brilhado no filme Em Busca da Terra do Nunca e na nova versão d’A Fantástica Fábrica de Chocolates) e o excepcional Robin Williams, naquele que considero o seu melhor papel no cinema (os dois na foto). Outro filme que merece uma atenção especial é a cinebiografa do cantor norte-americano Johnny Cash e sua parceira-amante-companheira June Carter, Johnny e June (Walk the Line, 2005, EUA). Rendeu Oscar de atores para os protagonistas Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon, que vivem o casal de forma surpreendente. As músicas foram realmente interpretadas por Joaquin e Reese, o que dá mais veracidade ao filme. Para quem gosta das músicas country e folk norte-americana, um prato cheio. Além de mostrar ainda outros astros dos EUA, como Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. Só um conselho: se for assistir os dois filmes de uma vez, uma caixinha de lenços não basta. Choro garantido!
Música & filmes: diversão garantida

A química é perfeita: uma história de vida entremeada por música de boa qualidade. Alguns filmes, que não são considerados musicais (na maioria das vezes, um drama), conseguem agradar seguindo esta fórmula que transformou Retratos da Vida (Les Uns et les autres, de 1981) num genial registro de Claude Lelouch acompanhando as vidas de alemães, norte-americanos, russos e franceses ao longo de décadas e como suas vidas foram mudadas pela II Guerra Mundial. Contando com um elenco extraordinário (James Caan, Robert Houssein, Geraldine Chaplin, Nicole Garcia e Fanny Ardant, entre outros) Retratos da Vida é, sem dúvida, um dos filmes mais marcantes de sua época e continua encantando platéias do mundo inteiro. Nunca Bolero, a sensacional composição de Ravel, recebeu uma homenagem tão magnífica e tocante como na cena final, sob a Torre Eiffel, em Paris: a coreogragia de Maurice Bèjart para o bailarino argentino Jorge Donn (foto). Magnífico. Algumas idéias do filme Lelouch voltaria a usar em Adeus, Meninos (Au Revoir les Enfants, 1987). Ainda na categoria de obras-primas não necessariamente um musical clássico, quem não se encanta ainda hoje com New York, New York (idem, 1977), pequena obra-prima de Martin Scorcese (um dos maiores cineastas de toda a história do cinema mundial), com interpretações magistrais de Robert de Niro e Liza Minelli. O registro da cantora para a música título (que depois ficaria famosa com Frank Sinatra) é magistral. Para não mudar de família, ainda há Nasce Uma Estrela (A Star Is Born, 1954), primeiro filme colorido de George Cukor. Aqui, Juddy Garland (mãe de Liza Minelli) e James Mason carregam com competência a fita que mostra a ascensão de uma estrela (Juddy) e a queda de outra (Mason). Destaque para as músicas de Harold Arlen e Ira Gershwin, que pontuam toda a trama. Três oportunidades magníficas de assistir filmes de qualidade e música idem. Com certeza voltaremos com mais sugestões.
Middlesex: Tudo, menos perturbador
O livro é sobre Calliope Stephanides, um hermafrodita que foi criado como menina mas que é, na verdade, homem. Não se trata, entretanto, de um livro polêmico, sofrido ou deprimente. Muito pelo contrário. Middlesex conta de maneira muito divertida uma história que poderia ser um dramalhão sensacionalista se tivesse sido concebida por outro autor qualquer. E é aí que está o segredo: Jeffrey Eugenides não é um autor qualquer. Middlesex é considerado um dos melhores livros de ficção dos últimos tempos. O narrador faz de sua trajetória pessoal uma saga de três gerações ao longo do século XX. Por incrível que pareça, Middlesex é leve e engraçado. Com este livro, Jeffrey Eugenides se consagrou como um grande contador de histórias e conseguiu agradar tanto à crítica quanto ao público.
Quando li o livro, logo em seu lançamento no Brasil (acho que em 2004 ou 2005), fiquei encantado com a qualidade do texto e a inventividade da história. Eugenides conseguiu desenvolver um tema difícil com uma leveza inesperada para um autor em sua segunda obra, que lançou Middlesex dez anos após seu livro de estreia. Depois destes dois romances, os leitores esperam pacientemente (quem sabe daqui a três anos) pelo terceiro romance de Jeffrey Eugenides que, aparentemente, não se preocupa com a quantidade e sim com a qualidade excepcional de suas obras.
Nem tão sobrenatural, mas ainda assim muito bom e fascinante

Pode-se chamar Peter Jackson de tudo, menos de sutil. Quem viu seu filme de estréia, Almas Gêmeas (que lançou Kate Winslet, em 1994), sabe do que estou falando. E, à parte da opinião da crítica (e, como disse Nélson Rodrigues, toda unanimidade é burra), acho que ninguém conseguiria levar tão bem às telas o livro de Alice Sebold (Uma Vida Interrompida).
Um Olhar do Paraíso tinha tudo para ser um filme perturbador, sobrenatural, mas não é nada disso. Ao contrário do cinema direto de Jackson, saiu um filme delicado, com um roteiro primoroso de Fran Welsh e Phillippa Boyens, em mais uma parceria com o diretor (os três também adaptaram O Senhor dos Anéis para o cinema com incompetência ímpar), amenizando as partes mais áridas do filme e destacando o trabalho da jovem Saoirse Ronan (que apareceu em Desejo e Reparação) como Susie Salmon, de 14 anos, estuprada, morta e desmembrada por um vizinho -- nada muito explícito.
A história, que se passa na década de 1970, mostra a garota no pós-vida (se é que podemos chamar assim) acompanhando a luta de seu pai (Mark Wahlberg) em encontrar o assassino da filha, o inconformismo da mãe (Rachel Weisz) diante do fato e o interesse do seu algoz (Stanley Tucci, indicado ao Oscar de ator coadjuvante por este trabalho) na sua irmã (Rose McIver), uma vítima em potencial. A presença de Susan Sarandon como a a avó fumante e alcoólatra (em uma cena ela aparece com dois cigarros na mão) acaba por amenizar ainda mais o tema árido. O filme poderia ser muito mais forte e apavorante se o diretor mantivesse as tintas do livro. Mas no final acaba cumprindo o seu papel, emocionando e extasiando os mais sensíveis, assim como "Amor Além da Vida" (1998), com Robin Williams, ao qual revi na madrugada de domingo. Este se destaca também com a qualidade do trabalho dos atores (Annabella Sciorra, Cuba Gooding Jr. e Max von Sydow), do roteiro bem amarradinho e dos efeitos visuais (na época, revolucionários). Os dois filmes merecem a atenção de quem gosta de um cinema bem feito.